No último dia 1º de outubro aconteceu na Casa Melhoramentos, em São Paulo, a 14ª edição do Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais. Organizado pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), Charities Aid Foundation (CAF) e Global Philanthropy Forum (GPF), o evento, em formato híbrido, reuniu 60 palestrantes, com cerca de 300 pessoas presentes ao longo do dia e também mais de 1.500 visualizações na transmissão ao vivo. Foram mais de 10 horas de conteúdo passando pelos temas mais relevantes da atualidade nos campos da filantropia e investimento social, como mudanças climáticas, filantropia corporativa e familiar, monitoramento e avaliação socioambiental, territórios e comunidades, inovação e tecnologia até interdependência e resiliência.
O tema transversal do evento em 2025 será ‘Esperançar’. Os participantes exploraram e viram na prática como a esperança pode e deve ser um verbo de ação a partir de histórias e práticas. Na abertura, Daniel Munduruku, escritor e diretor presidente do Instituto UKA – Casa dos Saberes Ancestrais, explicou como esse conceito de esperançar está ligado às práticas ancestrais dos povos originários. Em seguida, os painéis temáticos proporcionaram uma ampla discussão sobre os principais temas que cercam a filantropia e o investimento social, com algumas das principais lideranças nessa área.
O papel do setor privado
O painel Empresas semeando transformações, por exemplo, trouxe Fátima Lima, Diretora de Sustentabilidade da MAPFRE no Brasil e Representante legal da Fundación MAPFRE no Brasil; Keyla Copes Rodrigues, Gerente de Sustentabilidade na Fundação Sicredi; e Murilo Nogueira, Diretor Administrativo e Financeiro da Fundação Bradesco; com moderação: Helen Pedroso, Diretora de Responsabilidade Corporativa e Direitos Humanos Grupo do L’Oréal no Brasil. Como já falamos bastante aqui nos artigos do Instituto Órizon, o setor empresarial e seus veículos filantrópicos são cada vez mais convocados a atuar com intencionalidade, estratégia e compromisso de longo prazo diante de crises recorrentes e desigualdades persistentes. Os debatedores exploraram como as empresas, que possuem raízes em territórios e capacidade de realizar ações com capilaridade para atuar nas mais diversas frentes, têm mostrado como é possível semear transformações e trazer esperança para grupos vulnerabilizados. A filantropia empresarial pode gerar respostas consistentes e estruturantes – não apenas mitigando danos, mas contribuindo de forma profunda a causas e construindo legados de impacto social positivo por gerações.
Monitoramento e tecnologia para potencializar o impacto
Já o painel Esperançar e não esperar: monitoramento para a construção de pontes, que trouxe Ana Fontes, Fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME) e do Instituto RME; Jessie Krafft, CEO da CAF America; e Leticia Born, Diretora Associada, Global e América Latina na Co-Impact; com moderação de Wesley Matheus, Secretário de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas e Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento e Orçamento. Também já falamos bastante por aqui sobre a importância do monitoramento contínuo das ações socioambientais. Afinal, iniciar um projeto socioambiental significa desejar impactos positivos a partir de recursos limitados. Os debatedores lembraram que o processo originalmente planejado nem sempre se mostra o melhor caminho na prática, e por isso que o investimento em monitoramento tem se mostrado tão importante para facilitar o diálogo entre os envolvidos e permitir correções de rota. Esse deve ser um processo crítico contínuo, que nos leva a esperançar ao invés de apenas esperar por bons resultados.
Sobre Inovações e Tecnologia, Camila Valverde, Diretora Executiva da Fundação ArcelorMittal; Eduardo Saron, Presidente da Fundação Itaú; e Joao Abreu, Diretor Executivo da ImpulsoGov, com moderação de PEDRO ROSSI, Vice-presidente da The Global Fund for a New Economy; falaram sobre como a tecnologia é uma ferramenta poderosa quando colocada a serviço das pessoas e das soluções que buscamos coletivamente. Inteligência artificial, plataformas de dados e metodologias digitais ampliam a capacidade de gerar impacto de forma estratégica, sobretudo quando articuladas a políticas públicas e processos de avaliação. Esse é outro assunto que sempre abordamos aqui no Órizon, assim como Interdependência e Resiliência, o tema do painel que fechou o Fórum.
Venture philanthropy: framework para o impacto social
Aqui no Órizon também acreditamos que o esperançar é coletivo, e Daniela Grelin, Diretora Executiva do Pacto Global da ONU – Rede Brasil; Hugo Felipe Bogotá, Diretor executivo na TerritoriA; Thuane Nascimento, Diretora executiva no PerifaConnection e Co-fundadora do Observatório das Baixadas, é a moderadora, Paula Jancso Fabiani, PhD | CEO do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, mostraram na conversa. Eles disseram que a resiliência e a interdependência também requerem confiança – nas pessoas, nas redes, nos territórios – como base para uma filantropia viva, democrática e mobilizadora. É preciso descentralizar recursos, democratizar decisões, diversificar vozes e colocar no centro quem vive os desafios e constrói, todos os dias, caminhos de transformação.
Em resumo, os temas discutidos no Fórum Brasileiro de Filantropos e Investidores Sociais têm tudo a ver com o que nós acreditamos e fazemos aqui no Órizon. Criado para ser o veículo de investimento social do mercado brasileiro de private equity, o Instituto Órizon se baseia na metodologia do venture philanthropy, que traz teorias e práticas do setor do investimento privado para o terceiro setor. Assim, o investimento de empresas e entidades privadas, sustentado a longo prazo, com foco no fortalecimento da infraestrutura e gestão das organizações sociais para aumentar a escala do impacto social, fará com que o investimento social privado (ISP) tenha de fato impacto profundo e duradouro.
Intencionalidade, estratégia e compromisso de longo prazo, monitoramento e avaliação contínuas, investimento em tecnologia e inovação em prol da resiliência e sustentabilidade. É nisso que o Órizon e o venture philanthropy acreditam para transforma a realidade!