IA e tecnologia no Terceiro Setor: o que aprendemos com o evento Práticas do Futuro

A inteligência artificial e as novas tecnologias estão transformando todos os setores da economia, e o campo social não é exceção. Para as organizações da sociedade civil, esse movimento traz um desafio duplo: acompanhar o ritmo acelerado da inovação e, ao mesmo tempo, garantir que ela amplifique o impacto e a transparência das suas ações.

Foi com esse propósito que o Instituto Órizon promoveu o encontro “Práticas do Futuro: IA e tecnologia no Terceiro Setor”, no escritório da Vinci Compass, reunindo representantes de diferentes organizações para compartilhar suas jornadas de transformação digital. Estiveram presentes as organizações sociais apoiadas no primeiro edital do Órizon – Rede Cruzada, Pró-Saber SP, Fundação Iochpe – Formare e Colégio Mão Amiga – VIS Foundation Brasil, além dos fundos que formam o Órizon e parceiros técnicos e institucionais. A conversa revelou aprendizados valiosos sobre como dados, automação e inteligência artificial podem fortalecer a gestão, a comunicação e a tomada de decisão nas instituições sociais.

Cultura de dados: o primeiro passo para qualquer transformação

Mais do que adotar novas ferramentas, as organizações destacaram que o verdadeiro desafio está em construir uma cultura de dados. Migrar de processos manuais e das planilhas dispersas de Excel para sistemas integrados é essencial para gerar análises consistentes e decisões baseadas em evidências.

Um exemplo veio da Rede Cruzada, que substituiu planilhas fragmentadas por um dashboard de BI no Looker Studio, revelando questões estruturais que antes passavam despercebidas, como taxas de evasão ligadas a mudanças em políticas educacionais locais. O resultado foi uma virada cultural: equipes que antes dependiam de relatórios prontos agora acessam diretamente os painéis de dados e participam ativamente da análise dos resultados.

Eficiência e automação: quando a tecnologia libera tempo para o propósito

Outro aprendizado foi o impacto direto da automação sobre a eficiência das equipes. A Tide Social, nossa parceira técnica na área de comunicação, por exemplo, reduziu de cinco dias para poucas horas o tempo necessário para preparar relatórios estratégicos ao conselho. A combinação entre Monday.com (como CRM) e Looker Studio (para relatórios automatizados) trouxe clareza sobre fluxos financeiros e resultados de captação, mostrando como a tecnologia pode liberar tempo e energia para o que realmente importa: o impacto social.

Ferramentas acessíveis, impacto real

Durante o encontro, também foram apresentadas ferramentas de uso simples e alto potencial transformador, muitas delas gratuitas ou de baixo custo, como ChatGPT, Fathom, Reportei e Gamma. Do planejamento de projetos à criação de apresentações e relatórios, essas soluções estão democratizando o acesso à inovação e permitindo que organizações sociais atuem com a mesma eficiência e qualidade de comunicação que grandes empresas.

O aprendizado coletivo foi claro: não é preciso começar com grandes investimentos, e sim com uma estratégia clara, que permita testar, aprender e escalar.

Desafios e próximos passos: ética, segurança e colaboração

Apesar dos avanços, o grupo também reconheceu desafios importantes. A conformidade com políticas de uso ético de IA ainda é uma barreira, especialmente quando há parcerias com empresas que exigem alto nível de governança digital. Além disso, cresce a demanda por formação em IA ética e responsável, tanto para equipes quanto para jovens formados em programas sociais.

Por isso, os participantes propuseram a criação de um fórum permanente de boas práticas em tecnologia e segurança de dados, fortalecendo a colaboração entre organizações que enfrentam desafios semelhantes.

Instituto Órizon: ponte entre inovação e impacto

Ao promover o “Práticas do Futuro”, o Instituto Órizon reforça seu papel como uma ponte entre inovação e impacto, estimulando o uso estratégico da tecnologia para ampliar resultados sociais. A transformação digital é um processo contínuo e cada passo dado rumo à cultura de dados e à adoção responsável da IA é um investimento direto na sustentabilidade e na transparência do setor.

O futuro das práticas sociais será digital, colaborativo e orientado por dados. E ele já começou.

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