Nos últimos anos, o campo do investimento social privado tem avançado na direção de uma agenda mais estruturada, baseada em evidências e orientada para impacto de longo prazo. Um novo estudo da Fundação Arymax sobre inclusão produtiva e transição para a sustentabilidade traz contribuições importantes para entender os desafios e, principalmente, os caminhos para o desenvolvimento social no Brasil.
Mais do que um diagnóstico, o estudo propõe uma mudança de perspectiva: não é possível falar em sustentabilidade sem enfrentar, de forma direta, a dimensão social das desigualdades.
A inclusão produtiva como eixo central
Um dos principais pontos do estudo é a defesa de que a inclusão produtiva deve ocupar um papel central na agenda de desenvolvimento. Isso significa garantir que pessoas em situação de vulnerabilidade tenham acesso a trabalho digno, geração de renda e oportunidades reais de autonomia.
No contexto da transição para uma economia mais sustentável, essa discussão ganha ainda mais relevância. O estudo aponta que, se não houver intencionalidade, a transição pode aprofundar desigualdades já existentes, especialmente em um país marcado por fortes diferenças de produtividade entre setores e regiões.
Ou seja, não basta transformar a economia, é preciso garantir que todos participem dessa transformação.
Evidências que apontam para a complexidade do desafio
Outro aspecto relevante do estudo é a sistematização de evidências. A pesquisa mostra que iniciativas de inclusão produtiva só geram impacto consistente quando combinam diferentes dimensões, como:
- formação técnica e socioemocional
- conexão com oportunidades reais de trabalho ou mercado
- acesso a redes, capital e acompanhamento contínuo
Mais do que intervenções pontuais, esse desafio exige estratégias integradas, que reconhecem a complexidade do problema.
Essa abordagem dialoga diretamente com um aprendizado importante do campo social: soluções fragmentadas tendem a ter impacto limitado. O desafio está em construir modelos que atuem de forma sistêmica.
O papel do investimento social: de financiador a indutor de capacidade
O estudo também reforça um ponto cada vez mais evidente: o papel do investimento social precisa evoluir.
Mais do que financiar projetos, é necessário fortalecer organizações, desenvolver capacidades e apoiar modelos que consigam ganhar escala e consistência ao longo do tempo. A própria trajetória da Fundação Arymax mostra essa evolução, com decisões orientadas por evidências e foco no aprendizado contínuo.
Esse movimento aproxima o campo brasileiro de abordagens como o venture philanthropy, que prioriza o fortalecimento institucional como caminho para ampliar impacto.
Quando a evidência encontra a prática
Se por um lado os estudos trazem diretrizes, por outro, é na prática que esses aprendizados se consolidam.
A atuação da Fundação Iochpe, uma das organizações sociais apoiadas pelo Instituto Órizon, especialmente no campo da educação e da formação para o trabalho, com o Programa Formare, é um exemplo relevante desse alinhamento. Ao longo dos anos, a fundação tem investido em iniciativas que conectam educação, empregabilidade e desenvolvimento de competências, reconhecendo que a inclusão produtiva passa, necessariamente, pela qualificação das pessoas e pela aproximação com o mundo do trabalho.
Essa lógica também se reflete em iniciativas que priorizam:
- formação conectada à realidade do mercado
- desenvolvimento de habilidades socioemocionais
- articulação com diferentes atores do ecossistema
Esses elementos aparecem tanto nas evidências do estudo quanto nas experiências mais bem-sucedidas no país.
O aprendizado do campo – e do Instituto Órizon
No Instituto Órizon, a leitura dessas evidências não acontece de forma isolada. Ela é constantemente conectada à prática junto às organizações apoiadas.
A experiência mostra que promover impacto sustentável exige olhar para além do projeto. É necessário investir em estrutura, gestão, mensuração e governança, criando condições para que as organizações consigam, de fato, transformar realidades de forma contínua.
Ao mesmo tempo, reforça-se a importância de atuar em rede. A complexidade dos desafios – especialmente aqueles que conectam inclusão produtiva, educação e sustentabilidade – exige articulação entre organizações sociais, investidores, empresas e poder público.
O movimento já começou, agora precisa ganhar escala
O estudo da Fundação Arymax deixa claro que o Brasil já possui conhecimento, experiências e caminhos possíveis. O desafio, agora, é ampliar escala, integrar esforços e garantir que a inclusão produtiva seja tratada como parte central da agenda de desenvolvimento sustentável.
Isso exige intencionalidade, coordenação e, sobretudo, uma mudança de mentalidade sobre o papel do investimento social. Mais do que apoiar iniciativas, trata-se de construir capacidades, fortalecer organizações e contribuir para soluções que sejam, ao mesmo tempo, eficazes e duradouras.
É nesse ponto que evidência e prática se encontram, e onde o Instituto Órizon segue atuando: acompanhando, aprendendo e contribuindo para que o investimento social no Brasil avance com mais consistência, estratégia e impacto real.