Em junho, no Innovation Hub da Bain & Company, reunimos o nosso ecossistema, que inclui os fundos de private equity, fundadores do instituto, as empresas investidas e parceiros técnicos e outros convidados, para a segunda edição do evento “O S do ESG na prática”. Após o sucesso da primeira edição do evento, realizada em 2024, desta vez o objetivo foi trazer o olhar dos fundos sobre como o setor privado pode apoiar o terceiro setor na geração de impacto social, com casos bastante práticos.
O evento teve um painel reunindo a diretora-executiva do Instituto Órizon, Karina Blanck, a presidente do conselho do Órizon, Frances Fukuda, representando o Warburg Pincus LLC, Gabriel Felzenszwalb, da Vinci Compass, e Bernardo Lessa, do SPX Capital, além de Tomás Jafet, da UNI.CO Recruitment Company, e Gustavo Camargo, da Bain & Company. Em pouco mais de uma hora de conversa, eles abordaram como as gestoras e investidas tratam o pilar social do ESG, a maturidade da agenda ESG nas organizações e os desafios para ampliar ainda mais as ações de impacto social, além dos resultados obtidos pelo Órizon nestes quatro ano anos de atuação.
Nossa diretora Karina Blanck abriu o evento falando sobre a abordagem do Órizon de trazer o trabalho que o private equity faz com as empresas investidas do setor privado para o mundo do terceiro setor, por meio da associação de capital com competência de gestão com o objetivo de deixar as organizações mais sustentáveis e bem estruturadas financeiramente para maximizar impacto social. “Tem uma discussão do quanto o ESG às vezes é pouco tangível, teórico, e termos uma discussão prática e concreta incentiva novas iniciativas e que esse tema continue na agenda”, afirmou.
Os representantes dos fundos falaram sobre como suas organizações encaram o “S do ESG” na prática. Frances Fukuda a afirmou que no Warburg Pincus LLC um dos grandes impactos é na capacidade de influenciar e incentivar as investidas. “Começa desde a seleção do investimento. Nosso time vai para o comitê da empresa e o relatório de ESG faz parte do nosso processo de diligência. Depois do investimento fazemos a coleta de dados, temos mais de 100 empresas no portfólio global, e aprendemos muito sobre melhores práticas, quem tem os melhores indicadores”, explicou. Frances falou ainda que, em seu aprendizado, percebeu como os projetos que mais deram certo eram os mais relacionados ao core da companhia. Ela ainda enfatizou como fazer parte do Órizon foi para o Warburg Pincus uma maneira de ir além de iniciativas isoladas e juntar forças para fazer algo com mais impacto. “Hoje o Órizon é uma das principais iniciativas sociais que temos na gestora”, disse.
Gabriel Felzenszwalb falou um pouco sobre a jornada ESG da Vinci Compass, e como a visão foi amadurecendo com o tempo. “No começo, encarávamos o ESG como uma ferramenta de mitigação de risco. Influenciado por investidores como o Banco Mundial Brasil, passamos a cada vez mais ver como uma ferramenta de geração de valor. Seja diminuindo desperdício ou aumentando o impacto positivo que as empresas têm nas comunidades. Usamos o ESG em favor das companhias. Não estamos fazendo mera filantropia, fazemos o bem para alavancar o negócio e a própria sustentabilidade da iniciativa. Temos muito orgulho de hoje 100% do portfólio tem metas ESG para remuneração dos executivos. Todo mundo encara o ESG como meta de negócio”, encerrou.
Bernardo Lessa contou que, desde sua fundação, a SPX Capital tem um viés que vem da alta liderança de contribuir com a sociedade, trazer impacto positivo. “Sempre fez sentido estabelecer parceiras com esses institutos que a gente apoia, e o Órizon traz uma metodologia muito alinhada à gestão de negócios. É uma evolução contínua, fomos vendo que isso era bom para os colaboradores, gerava engajamento do time, vimos que causava impacto na sociedade, que conseguimos mensurar. Tudo se encaixou”. Ele afirmou que hoje não apenas as empresas investidas pela Vinci têm um alinhamento muito melhor do ESG com o negócio, mas que ter outros fundos como parceiros, em iniciativas como o Órizon, também fortalece essa pauta.
Karina contou que, na atuação com o Órizon, percebeu que a maior demanda do terceiro setor é obter ajuda na área da gestão. “Temos hoje no Brasil uma cultura de filantropia ainda muito pontual e conseguir recurso e inteligência para ações mais estruturantes é quase impossível”. Para ela, o venture philanthropy traz esse que é o “core” do private equity, os recursos e competência do ecossistema com as investidas, para atender o terceiro setor.
Gustavo Camargo lembrou que o ecossistema do private equity cria organizações que transformam suas indústrias. Da mesma forma, o Instituto Órizon transforma as ONGs com quem a gente trabalha. “Nossa competência de gestão, complementar a todas as competências da entidade, traz um retorno de 10 vezes em captação, 8 vezes em beneficiários. Raramente atuando na atividade fim, e sim no meio: captação de recursos, gestão, governança, estruturação do time”. Frances Fukuda lembrou a importância de fundos teoricamente concorrentes fazerem algo que seja representativo da indústria. “Em vez de várias iniciativas pontuais concentramos esforços com parceiros e oferecemos o que tem de mais importante para doar, a competência que tem dentro da nossa indústria”.
Os convidados abordaram ainda outras formas como os fundos abordam na prática o eixo social do ESG em seu trabalho, os principais desafios para a perenização das ações sociais e como evitar o “socialwashing”. Em especial, foi discutido como evitar que contextos desfavoráveis, como situação de crises econômicas e políticas, levem a retrocessos na agenda ESG.
Entre as lições apontadas para quem quiser desenvolver iniciativas de impacto social, podemos destacar:
- Comece pequeno, comprometa-se no que é viável e perene;
- Apoie-se em quem já tem o know-how (Fale com a gente!);
- Tenha foco no que tem sinergia com o seu negócio, defina metas, objetivos e os mensure, não se perca nas distrações;
- Garanta os CPFs na sua PJ que genuinamente se engajam na causa, eles vão manter a chama acesa!
Nos primeiros três anos do Instituto Órizon, nossos fundos fundadores investiram diretamente R$ 2,6 milhões, e as organizações apoiadas – Colégio Mão Amiga – VIS Foundation Brasil, Fundação Iochpe – Formare, Pró-Saber SP e Rede Cruzada, tiveram um aumento de arrecadação de R$ 19 milhões a partir das ações que realizamos no fortalecimento da gestão. Agora, no quarto ano de atuação, estamos buscando novos parceiros para aumentar ainda mais esse impacto.
Quer nos ajudar a transformar a educação no Brasil? Entre em contato e juntos vamos fazer mais!