Pesquisa do IDIS traz um panorama sobre as ONGs que atuam no Brasil

Aqui nos canais do Instituto Órizon estamos sempre compartilhando estudos e pesquisas relevantes e de qualidade sobre o terceiro setor e o investimento social no Brasil. Por exemplo, há alguns meses falamos sobre o estudo “Caminhos para uma atuação mais estratégica e ampla da filantropia familiar brasileira”, produzido pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – IDIS. Agora, vamos abordar outro estudo recentemente publicado pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, que traz um panorama sobre as Organizações Não Governamentais (ONGs) atuantes no Brasil.

O Panorama das ONGs – capítulo Brasil é resultado de uma parceria entre o IDIS e a Charities Aid Foundation (CAF). O relatório integra o World Giving Report 2025 (relatório mundial de doações) e busca ampliar a perspectiva desenhada a partir da visão dos doadores, destacando a generosidade da população brasileira. A pesquisa ouviu a liderança de 170 ONGs de todo o país e aponta sustentabilidade financeira como principal desafio, mas destaca otimismo, diversidade de fontes de receita e confiança na capacidade de resposta das organizações.

Sustentabilidade financeira é principal preocupação, mas não a única

Segundo a CEO do IDIS, Paula Jancso Fabiani, PhD, o estudo busca chamar a atenção para a resiliência do terceiro setor, a partir de pesquisas quantitativas e entrevistas realizadas com líderes de ONGs e categorizadas em seis dimensões: propósito, saúde financeira e operacional, evidências de impacto, pessoas e cultura, parcerias, e contexto e percepção pública. Entre as principais descobertas, ela enfatiza a diversidade das fontes de financiamento e o fortalecimento das redes de colaboração, mesmo diante de desafios como a sustentabilidade financeira, a necessidade de maior reconhecimento público e o fortalecimento de uma cultura de doação. Esses resultados demonstram que, apesar da adversidade, o setor continua inovando e expandindo seu impacto.

Alguns pontos chamam a atenção sobre as 170 ONGs respondentes. A maioria é de pequeno porte, com até 50 colaboradores, assalariados ou voluntários, e está ativa há mais de 20 anos (46%). As principais causas apoiadas são Crianças e Jovens (28%) e Educação (14%). As ONGs brasileiras seguem a tendência global de ter a sustentabilidade financeira como principal desafio enfrentado, com 66% das instituições escolhendo essa opção.

Mas vale notar que também há na pesquisa um número relevante de ONGs que listam como prioridade aumentar a conscientização sobre sua organização e trabalho (43%), assim como medir e demonstrar impacto (36%). Ambos são elementos básicos para comunicação e engajamento. No Brasil, há uma divisão clara em torno das percepções sobre a saúde do setor, alinhada com as características dos países de renda média-alta. Aqueles que acreditam que o setor é saudável reconhecem o impacto positivo que ele gera, assim como o aumento de parcerias com os setores público e privado.

Outro dado interessante é que as lideranças de ONGs são mais otimistas em relação às próprias organizações do que ao setor como um todo. Os números refletem a percepção das ONGs sobre a saúde do setor. Os líderes são capazes de perceber a relevância e o impacto de suas próprias organizações, mas são mais céticos quanto à força do setor.

As seis dimensões de uma ONG resiliente

O estudo Panorama das ONGs e o trabalho de consultoria do IDIS com as organizações levou à identificação das seis características de uma organização com potencial para se resiliente. São elas:

Propósito: entender qual é o propósito organizacional e, tão importante quanto, entender o que ele não é.

Saúde financeira e operacional: com renda suficiente de fontes diversificadas.

Evidência de impacto: a capacidade de identificar e comunicar as necessidades atendidas e o impacto que isso está tendo.

Pessoas e cultura: ter a equipe certa e priorizar seu desenvolvimento e bem-estar com uma liderança eficaz.

Parcerias: ser bem conectado e conseguir apoio trabalhando em parceria com outras pessoas.

Contexto: consciência do contexto político, econômico, local e nacional, e da percepção pública. Capacidade de identificação de ameaças e oportunidades.

O questionário incluiu várias perguntas que, quando consideradas juntas, dão a cada organização uma pontuação para cada uma das seis características. As respostas mostraram que A maioria das ONGs brasileiras acredita ter clareza sobre seu propósito, mas considera as pessoas e a cultura a característica mais desafiadora da resiliência.

O relatório detalha cada dimensão da resiliência e traz dados interessantes para quem atua no terceiro setor. Vale a leitura completa! De nossa parte, observamos como diversos aspectos apontados na pesquisa, como a importância da a diversidade das fontes de financiamento, o fortalecimento das redes de colaboração, a comunicação sobre sua atuação e o monitoramento e avaliação do impacto, se alinham aos princípios do venture philanthropy. As respostas das lideranças das ONGs demonstram que o Instituto Órizon está no caminho certo em nossa metodologia de apoio às organizações sociais que atuam com a educação.

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